gtd

O poder da anotação: ferramentas simples e que funcionam

Publicamos recentemente vários posts sobre como ser mais produtivo na escrita, especialmente quando existe uma camada de colaboração nesse trabalho. Nossa meta, no início da pesquisa, era evitar trocas de arquivos Word por email, o que é um processo improdutivo.

Alternativamente, queríamos evitar também os riscos de deixar arquivos no Dropbox, pois sabemos que apenas a última versão do arquivo é salva. Afinal, tudo pode acontecer em uma pasta compartilhada, inclusive tudo pode ser perdido de uma hora para a outra.

Encontramos diversas formas de contornar esses problemas e percebemos que todas elas poderiam ser organizadas nos seguintes grupos: editores para escrita, editores com marcas de revisão ou versionamento, bem como editores com comentários. O fato é que qualquer solução, ao priorizar uma abordagem, sacrifica outras.

Qual a abordagem mais negligenciada?

De uma forma geral, a perspectiva mais negligenciada pelos editores é aquela orientada a comentários. Os comentários não pretendem se fundir com o texto, e sim fornecer uma nova camada de informação, quem sabe inaugurando uma nova discussão. Por isso é mesmo muito difícil conciliar um bom editor de texto que reserve suficiente atenção aos comentários e a seu modo de ser.

Um bom exemplo de plataforma que caminha nessa última direção é o Medium. A plataforma promove o comentário a praticamente um novo fragmento de texto, iniciando conversas infinitas de mesma hierarquia diante do texto originalmente publicado. Nem sempre foi assim e o Medium já teve outra abordagem, quando tinha uma espécie de comentário inline, exibido ao lado do texto. Hoje o Medium exibe os comentários empilhados ao final do texto.

Se você prefere comentários ao lado do texto, a melhor escolha é o Hypotesis. Existem outras opções, mas o Hypotesis ganha pelo conjunto da obra. Para começar, não é uma iniciativa comercial, como Genius ou Diigo. Além disso, o Hypotesis pode ser instalado dentro do seu próprio site ou blog, o que não é possível com outras ferramentas. Por fim, é open source e, naturalmente, tem vocação para integração com outros sistemas.

Já o Diigo aparenta ter um perfil mais fechado e voltado à educação, espectro em que se encontram também o Perusall e o Kami. Ao lado deles, existem soluções para finalidades educacionais que não são relevantes para este post.

Reduzindo as barreiras para o revisor

O poder da anotação reside em que é mínima a barreira para que o revisor colabore com o seu texto. Com isso, é mais provável que você consiga contar com aquela pessoa que não estaria disponível para colaborar dentro de uma plataforma de coautoria, por exemplo.

Não podemos deixar de considerar que, no fim, o que importa é a qualidade do texto. O que importa é que as ferramentas sirvam de suporte para essa finalidade. Nesse propósito, nem sempre precisamos de uma plataforma sofisticada com controle de versão, que é algo que não está totalmente dominado pela maioria dos revisores. Em contraste, ferramentas de anotação estão sempre ao alcance de uma pessoa minimamente disponível.

Assim, não podemos deixar de considerar o poder da anotação. As ferramentas de anotação são simples e, de fato, funcionam, principalmente por respeitar o tempo e o conforto do revisor. Afinal, não existe quem escreva bem. Existe quem se dedique a revisar o texto e a criar condições para que ele alcance novos patamares de qualidade, o que será bastante mais fácil por meio da colaboração com pessoas diferentes e mais experientes.

Pessoas escrevem textos e essa não é uma tarefa simples. Por isso é importante que as ferramentas de redação e revisão tenham as pessoas como destinatários, respeitando o seu modo de trabalhar. Quase nunca as barreiras à escrita são objetivas. Quanto mais confortável for o processo de escrita, mais produtivo o autor será. E isso se aplica, com muito mais ênfase, à tarefa do revisor.