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Ferramentas minimalistas para escrita ágil: mapas mentais, outlines e notas

De algum modo minha experiência de professor me ajuda a ser mais produtivo no trabalho da Lexana. O que esses dois papéis têm em comum é que a atividade de orientação de alguém com menos experiência é central tanto em uma como em outra. E para fazer isso você precisa de um método.

Meu método consiste em delegar pequenas tarefas, criando raias para que cada orientando se sinta seguro ao desenvolver algo que esteja realmente ao seu alcance e depois repetir, aumentando o escopo e a escala. Pessoalmente, acho que a maioria dos professores de Direito produzem apenas texto e a única ferramenta que utilizam é o Word, uma folha infinita sem nenhuma rotina nela embutida. Isso é muito perigoso.

É muito mais frequente do que se imagina ver um orientando entrando em colapso em razão da falta de ferramentas de planejamento do Word. Para completar o problema, professores de Direito muitas vezes supõem que seja algo natural demandar que o estudante desenvolva um longo texto. Mas depois existe o risco de que o orientando volte com um texto de 50 páginas incorrigíveis, pois não é possível reorientação após um avanço tão grande como esse.

Assim, a orientação se torna improdutiva ou se converte em mero acompanhamento de um trabalho independente. Tudo isso parece ter início em razão da ausência da seguinte distinção:

O texto é suporte da ideia, o texto não é a própria ideia. E a ideia precisa ser trabalhada antes do texto.

Se você busca uma ferramenta para ajudar na fase de ideação, talvez um mapa mental ajude. Mas não se engane. Um mapa mental é apenas um suporte de ideação (espacial) ou de rememoração das ideias de seu próprio autor. Seja como for, acho que vale investir nessa fase. Minha sugestão é começar pelo XMind, em razão da diversidade de estruturas espaciais que fornece.

A maioria das outra ferramentas apenas cria uma forma de mapa de conceitos. Então o XMind para mim é o vencedor, pois cria tabelas, linhas do tempo, etc. Além disso, a verdade é que o editor de mapas em si já se tornou commodity. As ferramentas monetizam apenas as camadas de gestão de projeto ou de apresentação. O editor de mapa mental geralmente é gratuito e o XMind é um bom exemplo de que esse é um modelo saudável de venda desse tipo de software.

Se você já tem a ideia ou acha que pode pular essa fase, pois sua ideia é simples, talvez seja o caso de partir para uma ferramenta de escrita de listas hierárquicas. Existe uma enorme varidade de ferramentas que fazem listas e elas geralmente já estão instaladas de fábrica no seu disponitivo. Mas vale investir em uma ferramenta dedicada. Minha escolha é o Dynalist.

O Dynalist é um outliner inspirado no Workflowy, cuja originalidade é incontestável. Foi o Workflowy que inventou a possibilidade de expandir/recolher listas, mantendo a possibilidade de navegar por apenas um tronco da sua lista. Realmente essa é uma proposta revolucionária, mas infelizmente faltou fôlego para que os inventores mantivessem o passo na evolução. Por isso recomendo, sem medo de errar, o Dynalist para listar de forma organizada suas ideias.

Mas e a escrita propriamente dita? Calma. Ainda estamos discutindo como você pode tomar notas. Para quem usa Mac/iPhone, Bear é o caminho. O Bear é uma cópia mais acessível do Ulysses, que passou funcionar exclusivamente por assinatura mensal. E essa para mim é a grande divisão entre softwares para uso profissional e outras opções, pois somente com o Ulysses você terá como administrar arquivos grandes, caso tenha adotado o markdown.

O markdown é uma escolha tão séria para a escrita ágil, que é necessário um post só para tratar das diferenças entre as opções de editor para markdown. Mas digamos que você seja alérgico a markdown (assim como sou para Google Docs). Nesse caso, você tem o Scrivener. Pense no Scrivener como uma alternativa ao Word. Ele realmente está ao alcance da sua mão, se sua resistência for grande em relação ao markdown.

Com certeza o Scrivener é uma opção se o seu texto for grande, o que estou supondo como premissa. Se os arquivos a serem tratados forem pequenos, faz pouco sentido investir em uma solução robusta. Uma das propostas que achei interessante foi a dada pelo Dropbox Paper. Mas suponho que, se você leu até aqui, não tem um problema pequeno para resolver.

Então vamos recapitular. Para ideação use um mapa mental, preferencialmente o XMind. Caso possa ou queira pular essa fase, escreva listas no Dynalist ou então passe para um aplicativo para tomar notas. Se você usar Mac, o Bear resolve. Se você usar Windows, o OneNote é a forma nativa de tomar notas - para não dizer a única forma.

Superou essas etapas? Então você está pronto para usar o Scrivener (que é uma espécie de solução end-to-end para esse fluxo), caso não tenha se convencido que markdown é realmente melhor. Mas se quer ser realmente ágil na escrita, possivelmente vai optar pelo markdown. E nesse caso um mundo se abre, mas isso é tema para um próximo post.