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Em busca do editor de markdown perfeito para aposentar o Ulysses (e o Word, claro)

Nos posts anteriores, tratamos de algumas questões relacionadas à agilidade na escrita. Falamos de como você pode desenhar um mapa mental, fazer listas ou tomar notas. Nesse ponto seu texto terá tomado forma e você poderá fazer uma opção de continuar no Word ou mudar para o Scrivener.

Se esse é o seu caso, independentemente da escolha, parabéns e boa escrita! Sua rotina já está desenhada de acordo com a opção pelo rich text. Mas pode ser que, assim como no meu caso, você prefira continuar explorando possibilidades de aprimorar seu processo de produção de texto. Afinal, entender as ferramentas à disposição aumentará sua produtividade no longo prazo, trazendo resultados mais consistentes e ágeis.

Qual a próxima fronteira de produtividade na escrita?

Se você está infeliz com o seu fluxo de trabalho na escrita não é o único. Existem profissionais como Kevin Eagan que compartilham conosco essa angústia existencial. Existem também pessoas que fazem um review como este parecer brincadeira de criança. Por exemplo, o comparativo entre aplicativos de markdown feito por Alec Kinnear. E existem pessoas que levam a discussão para um nível realmente muito alto sem perder a objetividade, como Cifuentes-Goodbody:

Se você vai usar markdown, realmente vai ter que investir antes. E o que vamos fazer aqui é apenas arranhar a superfície, listando algumas ferramentas que podem ajudar você no início dessa jornada.

O líder para Mac

O Ulysses é parada obrigatória, infelizmente. O editor é muito caro, exclusivo para Mac e está disponível apenas por uma assinatura mensal. Mas, se você escreve profissionalmente, pode ter interesse nele. O ponto forte é que não se trata apenas de um editor, e sim de um ambiente de escrita que faz a gestão dos seus arquivos. Ou seja, torna-se dispensável e impossível fazer a gestão de pastas e arquivos, pois é o programa que se torna responsável por isso.

Essa característica vem sendo copiada pela concorrência, mas algumas funcionalidades ainda são exclusivas do Ulysses. É possível dizer que seu layout está se tornando um padrão, conhecido como editor de três painéis: um de navegação das pastas, outro de ordenação dos arquivos e outro para escrita propriamente dita. O Ulysses permite adicionar outras abas, mas isso você descobrirá com o tempo.

Entre outras funcionalidades exclusivas do Ulysses, o programa permite fundir ou dividir arquivos, a depender da conveniência do seu projeto. Entendo que isso esteja no DNA do editor, justamente pela sua concepção de uso dos três painéis. Eu uso o Ulysses todos os dias, mas não posso recomendar um software tão caro sem qualquer advertência.

O desafiante

O Typora é um editor bem simples e que ainda está em fase beta, tanto para Mac quanto para Windows. É o que mais recomendo aos iniciantes, pois é possível ver ou não o markdown, trabalhando da forma mais agradável para você. As pessoas mais proficientes acham essa uma funcionalidade sem sentido e ficam confusas com isso. De todo modo, acho que vale a recomendação, pois é um editor gratuito e muito completo.

Sem sombra de dúvida, é o melhor editor em markdown no suporte de tabelas. Além disso, é um dos poucos editores que abre todos os arquivos de uma pasta de uma vez só, permitindo o trabalho em um projeto composto dessa sequência de arquivos. Faltam algumas funcionalidades, o que é totalmente compreensível em sua fase beta e gratuita. Como o ritmo de desenvolvimento vem sendo satisfatório, estou muito animado com o futuro do Typora.

O multiplataforma

O iA é um editor bem interessante, especialmente por ter uma versão para Mac e outra para Windows, bem como para Android e IOS. Realmente não posso dar muitos detalhes, pois tive dificuldade em trabalhar com um editor que não investiu em desenvolver uma funcionalidade de preview. O ponto forte é que o editor é lindo e não apresenta nenhuma distração.

Mas como recomendar algo que não uso? Bem, de toda forma, deixo registrado que me parece um produto sério e útil para textos pequenos. Não recomendaria para textos mais longos. Afinal, ainda que o iA abra projetos com vários arquivos, não consegui fazer uma compilação com eles, o que me pareceu algo sem sentido.

Os simples

O Byword é um editor para Mac bem simples. Não concorre com o Ulysses, pois só serve para textos muito pequenos. Pode ser bom para iniciantes justamente por isso. Ele é tão simples que eu acho que seus usuários são atraídos apenas pelo seu visual totalmente sem distrações e com ótima tipografia. Para o Byword menos é mais.

Outro editor simples para Mac é o Bear. Também não concorre com o Ulysses, pois está mais no campo da redação de notas. Aliás, muitas pessoas estão trocando o Evernote pelo Bear, o que mostra que sua missão é atender pessoas que escrevem notas, não textos longos. Algo me diz, no entanto, que o Bear pode terminar se sobrepondo ao Ulysses em algum momento, pois é visualmente muito inspirado nele.

O visualizador

O Marked não é um editor de texto. Ele funciona apenas como um visualizador de arquivos em markdown. A proposta é muito interessante, especialmente se o editor de sua escolha não tiver um bom preview. Nesse caso, você deve abrir o arquivo ao mesmo tempo no editor e no visualizador. Isso é um pouco engraçado para mim, mas pode ser uma saída se você cair de amores por algum editor que não tenha um bom visualizador.

O publicador

O Gitbook é um editor muito diferente e que se destaca pelo tipo de conteúdo vocacionado a produzir: documentação técnica. Isso quer dizer que o Gitbook foi concebido para ser também uma plataforma de publicação, o que o torna único na gestão de arquivos enormes e sempre em atualização.

O fato de ter suporte markdown é algo acidental para o produto, o que apenas reforça o prestígio que esse formato de edição vem recebendo. Seja como for, se você pretende ter um bom publicador conjugado com um editor markdown, o Gitbook é uma alternativa a ser considerarda. PS: Em abril de 2018 o Gitbook lançou atualizou seus serviços e aposentou a versão desktop do editor.

Os outliners

O Gingko é um aplicativo único, pois é um outliner web (com desktop beta) em que você não escreve para baixo, e sim para o lado em colunas. Cada coluna para a direita é um nível hierárquico subordinado ao da esquerda. Então, entendida essa singularidade, não tem segredo.

É uma possível solução se você busca redigir uma resposta a um edital, por exemplo. Nesse caso, os quesitos do edital poderiam vir na primeira coluna e o seu texto na segunda. Serve para isso, mas não tem nenhuma funcionalidade adicional, além da divisão em colunas verticais de algo que naturalmente estaria em forma de lista. Depois de um tempo você percebe: "Not a bug, a feature."

Se você precisar adicionar um comentário ou marca de revisão, não trabalhe com o Gingko. Esteja consciente dessas limitações e saiba também que a virtude do Gingko não é seu suporte a markdown, e sim o seu organizador de estrutura em formato de outline.

Penso que o Gingko, na verdade, tenha um potencial cliente apenas, pois é muito pitoresco seu modo de ser. Esse cliente seria alguém escrevendo uma dissertação sozinho e pela primeira vez, bem como sem domínio de outras ferramentas para organização.

Ou seja, o público do Gingko não é o da produtividade corporativa, com trabalho coletivo envolvido. Ele é uma ferramenta de uso individual, embora exista a possibilidade de compartilhar leitura e redação. Trata-se de um público delimitado e relativamente grande para um problema que pode ser resolvido por um desenvolvedor solitário, o que é um aspecto positivo para a saúde do negócio e do desenvolvimento da ferramenta.

O FoldingText é um editor bastante pitoresco para Mac. Ele é uma espécie de cruzamento do outliner chamado Workflowy com um editor em markdown comum. Acho que o FoldingText só é recomendável para quem perdeu a capacidade de escrever em algo que não seja markdown. Isso não é de todo improvável, pois markdown é viciante. Não uso o FoldindText a ponto de ter uma opinião final sobre ele, mas achei válido o registro por sua originalidade.

Conclusão

Ainda continuo usando Ulysses todos os dias. Vamos esperar que surja um concorrente que o supere ou ao menos se iguale. Isso faria bem para o mercado.

Para um post futuro vamos tratar dos editores exclusivamente com suporte web, sem instalação em Mac ou Windows. Embora essa classe tenha editores mais fracos, seus produtos podem ter características muito originais, especialmente na parte de colaboração e controle de versão. É uma área muito promissora para os editores de markdown e por isso reservaremos um post só para eles.